O Teatrão organiza a segunda edição de um encontro que junta grupos de teatro de Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
II Laboratório Teatro e Comunidade (Teatro)
Companhias de Coimbra, Soure, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz
Sala Grande e Tabacaria da OMT | 20 a 23 de fevereiro | quinta-feira a
domingo | Entrada: entre €4 e €20
A tradição teatral na região do Baixo Mondego tem uma já longa história.
De tal modo assim é, que há quem se recuse a desistir de práticas e projetos que vêm de tempos imemoriais, mas que estão cá, existem na nossa pele, nos nossos hábitos e sobretudo no nosso imaginário. É por isso que aqui encontramos tantas coletividades que se mantêm em atividade e para quem abandonar a criação teatral significa abandonar a sua terra, a sua memória e a sua gente. Neste Laboratório Teatro e Comunidade promove-se o encontro destas pessoas e a partilha do seu trabalho, que é o mesmo que dizer o encontro de quem insiste em ficar e lutar pelo que é seu: as suas tradições, o seu teatro e a sua identidade – no fundo a sua própria comunidade. Ao mesmo tempo, também se procura estimular a discussão sobre práticas de trabalho, experiências de criação e relação com os públicos locais.
Esta comunidade – as suas tradições e património – é muito rica e variada e isso reflete-se nos trabalhos que serão apresentados. Cada um dos grupos que este ano participa no Laboratório mantém relações muito próprias com a sua comunidade e os seus espetáculos são construídos em função do seu público e das características de cada território. Daí que esta programaçao traga à OMT autores consagrados (tanto contemporâneos, quanto da literatura clássica), mas também trabalhos de pesquisa dentro do teatro popular e outros que inclusive buscam inspiração na vida da própria localidade e dos seus intérpretes.
Assim sendo, na edição 2014 do Laboratório Teatro e Comunidade, cruzam-se nos palcos da OMT propostas tão diversas, quanto surpreendentes: o Trai-la-ró (Soure) traz a tragicomédia de um certo pastor Albertino; de Ribeira de Frades chega uma Revista, não à Portuguesa, mas à Ribeirense; a Figueira da Foz apresenta-se em dose dupla com o Teatro do Oblíquo (“Cenas Conjugais”, criado a partir de peças de Pedro Mexia) e com o repetente Páteo das Galinhas, desta vez com o seu “Milhões de Contos” (com textos de Anton Tchekhov, Mia Couto e Mário de Carvalho); e, finalmente, do Concelho de Montemor-o-Velho regressam O Celeiro, que partilha os “Avisos do Sacristão aos Paroquianos”, e o CITEC, agora com “Sonhos Salteados”.
Para completar este intenso programa, convidamos ainda o grupo Gambozinos e Peobardos, que tem agitado a população da Vela (Guarda) com as suas propostas teatrais, combatendo assim o isolamento e a ausência de ofertas artísticas regulares na localidade. Na tarde de sábado ficaremos a perceber como se tem estabelecido no interior do país este diálogo entre comunidade e criação artística e saberemos da experiência de residência artística que realizou com O Bando, em Palmela.
Informa-se ainda que as companhias que se apresentam entre 20 e 23 de fevereiro têm também a particularidade de pertencer à Plataforma Mondego, um instrumento que pretende servir de apoio ao trabalho dos grupos amadores e outras coletividades da zona do Baixo Mondego e que é também um ponto de encontro para debater ideias, estimular novas experiências e promover a circulação de espectáculos em rede. A Plataforma Mondego será publicamente apresentada a 27 de março, por ocasião das comemorações dos vinte anos d’O Teatrão.
Os espetáculos inseridos no II Laboratório Teatro e Comunidade terão sessões às 21h30, de quinta a domingo, na Sala Grande, e às 17h (sábado e domingo), na Tabacaria da OMT. A conversa terá lugar no sábado, 22 de fevereiro, às 15h.
Informações: O Teatrão – 239 714 013, 912 511 302, info@oteatrao.com