O Teatrão informa que devido à instabilidade atmosférica a sessão de sexta-feira, dia 19 de setembro, d’O ALVAZIL DE COIMBRA será apresentada no Centro Cultural de Verride, às 21h, e não no Castelo de Montemor-o-Velho, como inicialmente previsto. A lotação do Centro Cultural de Verride é limitada e a entrada faz-se por ordem de chegada. Caso se mantenham estas condições atmosféricas a apresentação em Soure será reagendada e a de Pombal acontecerá, como previsto, mas no Teatro Cine.
O ALVAZIL DE COIMBRA (TEATRO DE RUA)
Comemorações dos 950 anos do governo de D. Sesnando – Rede de Castelos e Muralhas do Mondego em parceria com o Teatrão, financiada pelo programa mais Centro (QREN, UE).
Episódio 1: Castelo de Montemor-o-Velho | 19 set | sex | 21h | Parque dos Bacelos (Soure) | 20 set | sáb | 17h30 | Castelo de Pombal | 21 set | dom | 17h30 | Castelo de Penela | 3 out | sex | 21h
Episódio 2: Castelo da Lousã | 26 set | sex | 21h | Praça 8 de Maio (Coimbra) | 27 set | sáb | 15h30 | Forte Buarcos (Fig. da Foz) | 28 set | dom | 15h30 | Alto do Calvário (Miranda do Corvo) | 4 out | sáb 17h30
Entrada Livre, sujeita aos lugares disponíveis
Informações através dos contactos 239714013, 914617383, info@oteatrao.com
Sinopse: Era uma vez um governador que uniu uma região e juntou todos os credos. Era uma vez uma família a sobreviver na guerra por entre presságios de amor e de morte. Era uma vez um país que era “uma choldra”, um país deprimido, humilhado, sem esperança e sem finança, mas cheio de viajantes sonhadores e apaixonados. Era uma vez uns faunos que eram atores. Era uma vez… Quantas estórias cabem numa História com 950 anos?
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Lançado o desafio da Rede de Castelos e Muralhas do Mondego para celebrar D. Sesnando Davides, figura marcante da nossa pré-nacionalidade, O Teatrão mergulha com O ALVAZIL DE COIMBRA em vários séculos de estórias reais e imaginárias. Nada melhor, portanto, do que chamar esses seres misteriosos que viajam pelo tempo e pelo espaço e que constituem a Companhia dos Faunos do Rio, companhia alter-ego que O Teatrão criou há quatro anos e que desde então aparece sempre por alturas do verão.
Desta vez, os Faunos vão até aos finais do séc. XIX, a esse Portugal dominado pelos interesses europeus e a debater-se com problemas de tesouraria, pobreza, emigração, descrença nas instituições e na capacidade de se modernizar e desenvolver. A propósito, citemos nós também, já que estão na moda, “Os Maias”: “(…) De resto todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!”, diz João da Ega. Mas este era igualmente um Portugal que se maravilhava com as inovações técnicas e científicas, com a modernidade e que, num assomo de sentimento nacionalista, se comemorava a si mesmo e aos seus heróis: a chegada à Índia e ao Brasil, os centenários de Camões, Marquês de Pombal, Infante D. Henrique ou ainda do Santo António!
Um país em que nos revemos, hoje, e que por isso decidimos visitar. Para melhor compreendermos a época, lemos textos então escritos, desde as “Farpas” queirosianas até textos dramáticos, almanaques e revistas que descobrimos no extraordinário espólio da Sala “Jorge de Faria”, da Faculdade de Letras de Coimbra. Passámos pelos compêndios de História de Portugal, mas também por autores contemporâneos, como José Rentes de Carvalho, cuja obra, em particular o livro “Portugal, a flor e a foice”, nos traz uma história alternativa de acontecimentos recentes. Com esta pesquisa, compreendemos como a História se repete e como o presente é uma marca que o futuro não consegue apagar.
Os Faunos andam, pois, pela província do séc. XIX a apresentar um espetáculo que comemora, à boa maneira oitocentista, a memória de D. Sesnando. Esta peça apresenta a família de uma Mãe, sua irmã e seus dois filhos que sobrevive no séc. XI com despojos da guerra que mouros e cristãos então travavam. A Mãe tem visões que lhe relatam o futuro, incluindo a morte do filho, acontecimento que tenta a todo o custo evitar. Durante a peça, porém, os próprios Faunos são surpreendidos por visões que os desviam da representação. O final da história contada em “O Alvazil de Coimbra” cruza-se com o fim da história dos Faunos do Rio, que acabam por enfrentar, corajosos, o seu destino. É hora de abandonar o convívio com os comuns mortais e embarcar numa derradeira aventura… Ou não!
Esta produção tem ainda uma particularidade: está dividida em dois episódios, pelo que quem quiser perceber toda a história terá que escolher dois locais diferentes para assistir e, ao mesmo tempo, conhecer alguns dos castelos e muralhas que D. Sesnando mandou edificar há 950 anos. Esta produção é um espetáculo comunitário que envolve centenas de participantes, entre músicos, atores amadores, coros, filarmónicas e curiosos que a nós se quiseram juntar. É assim que no séc. XXI, tal como D. Sesnando fez no seu governo do séc. XI, se volta a unir um território que abarca oito vilas e cidades, mas agora através da capacidade que só o teatro tem para juntar pessoas e locais, coisa que O Teatrão tem vindo a fazer desde 2010 com os espetáculos “Peregrinações”, “Coimbra 1111”, “Shakespeare no Castelo” e “Arruinados em Três Atos”.
Quantas estórias cabem numa História com 950 anos, afinal? Muitas: todas as que estão dentro dos livros, das pedras, da memória. E ainda aquelas que a nossa imaginação conseguir criar. Para as encontrar, basta procurar e saber ler nas entrelinhas…